segunda-feira, 22 de setembro de 2008

= N

= N

Há uma certa necessidade de mostrar aquilo de novo que se descobre para que as novidades não fiquem retidas em si mesmas e a si mesmo, sendo que estas podem ser apreendidas tanto em seu caráter unívoco quanto múltiplo; em nível perceptivo individual ou em nível perceptivo geral da própria espécie humana.
Ao não se dividir algumas dessas novidades elas não deixam de ser alucinações, de experiências, sensações tidas e que, todavia não são reais. Ao mostrá-la aos outros e atribuí-las uma certa lógica, elas são re-significadas, passam a ter outras significações e significações dos outros. Ou seja, passam a ter conotações reais e assim não são somente percebidas como um desatino.
A percepção está intimamente relacionada ao meio inserido, às informações anteriores obtidas e a maneira com que o meio induz estas a serem processadas. Existem diversos meios de obterem-se experiências de êxtase. A arte, a filosofia, o sexo, a religião e as drogas são capazes de levarem as pessoas a sensações de altas intensidades: um transe, um espasmo, um soluço...
A intenção deste trabalho/Instalação é apontar a necessidade de trazer à realidade os novos elementos apreendidos num estado de êxtase, de fazer perceber novas redes, novas conexões com esta realidade. Para que ela não seja adversa ao estado de êxtase, não se deve criar uma barreira, uma oposição entre os dois, ou seja, não devemos dicotomizar experimentações. Aquilo que foi sentido existiu, o que existe é real. Marginalizar as novas percepções negando-as ou ignorando-as das ações cotidianas é enrijecer a capacidade estética e lógica.

Traços paralelos transversalizados: linhas paralelas encontram-se no infinito.

Para que não se percam as percepções vividas em estados “paralelos” deve-se atribuir a elas uma lógica, um entendimento daquele momento de transe. Reordenando e permitindo novas ações concretas às significações elas não ficam presas ao plano ilusório, ao nível do irreal, desta forma, novos conceitos são criados, novos elementos são equacionados e ocorre a apreensão do novo.
Deve-se então tornar as novas sensações em signos cognoscíveis e criar diálogos e espaços entre eles. Esses espaços são no sentido local existente, onde as coisas acontecem. Ele é também uma comunicação (idas, vindas, dentros e foras), uma nova maneira de existência dessas sensações. Ao passar uma sensação aos conceitos lógicos da linguagem, a primeira acaba adquirindo características do segundo. Em outras palavras, ao transmitir informações, estas deverão antes passar pelos próprios conceitos lógicos lingüísticos (a fala) e ao passar por estes adotam suas características. Os signos e meios lingüísticos foram utilizados aqui como exemplo, pois a comunicação pode ser feita pelas mais variadas linguagens, bem como pelo intercruzamento delas -se é que existe uma linha que aparta uma a outra.


Outra intenção deste trabalho é demonstrar por meio de equações matemáticas e corpóreas a maneira com as quais os conceitos são criados.
Tais equações abrangem um sistema e são expressas da seguinte forma, dado que: N é a novidade; as letras do alfabeto (a, b, c, d...) são as elementos reais; elementos irreais são expressos pelos símbolos g, c,b,z, bem como por qualquer outro símbolo desconhecido; as operações reais compreendem as operações matemáticas básicas [(+), (–), (.) ,(:)] ; as operações irreais são expressas por símbolos sem funções matemáticas [(>), (l),(v)].


N = a + b . c : d
N = g+ b. c : d
N = a > b . c : d
N = g + c . b: z
N = g l c v b z

Cada uma das equações possui explicações filosóficas, estas serão transcritas na instalação por meio de linguagem performática. A seguir seguem conceitos, explicações de duas destas equações:

Na primeira equação o N pode ser substituído por tudo aquilo de real que já se conhecia, pois todos os elementos são reais. Ele é também é encaixado nas redes de realidade, já que todas as possibilidades, operações, são reais. Assim o novo símbolo, N, é uma abstração, bem como uma fusão ou divisão. Todavia quando um ou vários elementos (e/ou operações) não são reais o que pode acontecer? O trabalho, =N, demonstrará 5 possibilidades – 5 equações- para a aquisição do Novo.

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